Dreams

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Céu estrelado

Acabo de vir da varanda onde estive por momentos a olhar para a rua, o café a fechar e, rapidamente, por falta de movimento na rua, o céu atrai-me ficando por momentos a olhar para ele. Procuro a lua em frente, porém, não a vejo porque tudo o que me chama a atenção neste momento e me prende o olhar é uma única estrela sozinha, cintilante, que parece ter sido colocada ali só mesmo para eu reparar nela. Decido pedir um desejo e penso nos mil e um desejos repetidos que já pedi às estrelas, se calhar até já pedi às mesmas vezes sem conta, e elas não me trazem o que quero. Olho mais uma vez para o céu, olho para cima, lá estás tu aí Lua, a esconder-te de mim, hein?! Volto para aqui e começo a escrever, paro vezes sem conta após vários pensamentos escritos para verificar se são mesmo fiéis ao que estou a sentir ou apenas para verificar se a estrela está no mesmo lugar ou se era apenas fruto ilusório da minha imaginação. Nesses momentos de pausa vêm-me à memória, momentos, pensamentos até que o meu cérebro me pergunta «que estavas tu a fazer há um ano atrás?». Que raio de pergunta, podias-me ter questionado outra coisa qualquer, podias ter-te limitado a mergulhar-me numa recordação, num momento, ou simplesmente podias-me ter dito o mais acertado neste momento, que fosse estudar álgebra pois apenas falta um dia para o tão esperado teste. Era tão mais prudente da tua parte fazê-lo, sabes perfeitamente que isso me faz recordar de mil e uma coisas que algumas vezes não tenho paciência para o fazer portanto, prefiro não te responder e contar-te a história de outra maneira, além disso tens a resposta todas as manhãs: mesmo que me levante cedinho para ir para a universidade, levo sempre um sorriso nos lábios. Sou feliz à minha maneira, não sou feliz porque sim, porque me apetece, sou feliz porque tenho motivos para sê-lo. Das milhentas razões digo-te apenas que o sou porque tenho amigos espectaculares, que me apoiam, sou das pessoas mais sinceras que conheço, sempre preferi uma verdade mais dura e árdua a uma mentira fácil e feliz, porque encontro felicidade na mais pequena coisa, não me deixo afectar com que os outros pensam. Mas, tal como todos os outros, também tenho os meus momentos mais de tristeza, ninguém está sempre em alta. Conheço montes de gente, muitas com quem é o típico bom dia, boa tarde, e coisas que tais, mas posso contar com cinco mãos aqueles que são mesmo importantes e sabem que o são. Os importantes não se limitam a saber dos melhores momentos que passei já que na maior parte deles estão ao meu lado, mas também dos maus porque nessas situações me apoiaram incondicionalmente. Contudo, é claro que nas redondezas e atalhos do meu ser, sobretudo no meu coração, se passam muitas coisas que poucas pessoas ou nenhuma sabem porque toda a gente tem os seus desejos mais recônditos, os seus segredos, os seus pensamentos mais privados. Nem toda a gente necessita de saber o que faço, a minha vida, quem precisa tem um lugar nela. Não se precisa de contar a alguém que hoje se lembrou dum determinado momento quando se ia deitar ou quando estava a mirar o universo deserto sidelar, esses são assuntos sobre os quais escrevemos e aliviamo-nos vendo-as escritas. É uma maneira de pôr um ponto final, de arquivar na memória e mais tarde reler. Até porque se contar perguntar-me-iam porque? E eu, a essa pergunta, não tenho resposta, apenas recordei ocasionalmente. Olho para o telemóvel, navego em conversações passadas, relembro o quão longe parecem estar de mim, pergunto-me quem era eu? Faria as coisas todas da mesma forma? Se calhar fui sempre demasiado boa pessoa mas, sinceramente não sei, não tens significado algum para mim neste momento e já há muito que não tens. Se o tivesses, ao meu lado estarias agora. Contudo, isso não faz com que não me lembre de ti quando passo por ruas onde outrora fomos felizes, onde nos rimos a bom rir, onde nos conhecemos, evito passar por lugares que foram demasiado importantes para nós, para o meu lado mais emotivo não nos imaginar nesse local. Guardo um bocadinho de ti no meu coração, se ele é tão grande não faz mal haver um cantinho reservado para ti e para a tua pessoa. Só me pergunto se alguma vez irei ter a capacidade de não te relembrar nos momentos mais difíceis, nas situações mais complicadas, será que conseguirei esquecer a nossa amizade? Não acho que o esquecimento seja o melhor caminho. Recordo-te não porque ainda sejas importante mas sim porque fizeste parte da minha vida assim como todas as outras pessoas. Tu marcaste mas não tiveste a capacidade de ficar e esse é o principal motivo pelo qual não pego no telemóvel e acabo com o silêncio por nós selado. Por muitos melhores amigos que tenha e importantes, no passado fizeste parte deles e é triste saber que tenhas duvidado disso. Enfim, já passou algum tempo, já houve coisas que mudei em mim embora ache que ninguém mude a sua verdadeira essência, já conheci novos amigos, e a maior felicidade é que os verdadeiros e importantes se mantiveram. Estou feliz mesmo não estando contigo a apoiar-me, consegui lidar relativamente bem com isso, e mesmo que um dia voltemos a ser amigos, talvez nada seja igual a como fomos, mas esse papel e considerações deixo ao tempo e ao destino. Levanto-me novamente, olho para o céu e lá estás tu estrelinha, então satisfeita com o desabafo?**        

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