Dreams

sábado, 7 de abril de 2012

1. O piscar das luzes




E chegou a minha vez de escrever a minha história. Estamos algures em Dezembro, numa das suas noites características juntinhos à janela a observar as lágrimas que o frio faz escorrer pela janela. Ao fundo vejo as luzinhas da árvore de Natal a piscar, a chamarem por mim, eu sou levada pela força delas. Sento-me à sua frente, vejo as estrelinhas, as bolas, os fios de luzes que percorriam de cima a baixo a árvore e no topo a grande estrela. Por baixo da árvore, o presépio bonito reluzente sem grande coloração mas tão grandioso e poderoso. E a música não parava na minha cabeça: “all I want for christmas it’s you”, nem eu podia explicar o porquê de tal música estar constantemente a percorrer nas artérias do meu coração. Toda a época natalícia me estava a trazer lembranças e eu flutuava nelas, ficando nostálgica. Eu queria sentir-me envolvida nos braços de alguém, eu queria ser amada, sentida. Queria que alguém me desse mais razões para viver, me segurasse na mão e não mais a largasse, alguém que me fizesse sorrir, rir e chorar de tanto rir ou de palavras bonitas que me dizia. Eu queria um amor que valesse a pena que me fizesse regenerar o coração e deixar de ter certos medos. Eu não sou uma pessoa de confessar o que sofro ou não, não digo aos sete ventos nem espalho pelo mundo da internet o que me magoa e fragiliza. Quem sente e desabafa para si mesmo sofre mais porque quem o divulga não sente assim tanto já que nem sequer teria coragem de o contar aos outros tal era a mágoa. Por isso eu não acredito muito na mágoa escrita ou dita publicamente. Eu não tinha saudades de alguém em concreto apenas queria poder partilhar o meu mundo, as minhas ambições, os meus momentos com alguém que me fascinasse e amasse. Fazer das minhas recordações as nossas recordações, fazer de um eu um nós, tornar um “se” ou um “mas” num “sempre” e transformar esta minha nostalgia numa alegria. Eu já não amava o F desde um pouco antes do nosso fim porque as nossas ambições nunca foram partilhadas, os interesses nunca foram idênticos, a maneira de ver o mundo opostas e o que nos unia era apenas a esperança e a ideia de construir um futuro só nosso. Por mais que continuássemos a tentar, as nossas diferenças iriam sempre colidir e não haveria nenhum “para sempre” reservado para nós. Contudo, eu também não conhecia ninguém que me marcasse e despertasse interesse de uma forma amorosa. Claro que tinha conhecido nestes últimos três meses, novas pessoas na faculdade e que essas foram marcantes e pessoas super simpáticas mas nenhuma me despertava particular atenção. Por isso, tinha sempre uma esperança: de que houvesse um rapaz aí algures que ansiosamente esperava por mim tal como eu por ele e que sabe-se lá, esse não seria o F, mudado e determinado em partilhar os mesmos interesses. Achava também que não seguiria em frente sem o ver pela última vez, sem que houvesse um adeus mental não físico evidentemente pois não tenciona falar com ele. Pensava que isso era necessário para me regenerar e voltar a apaixonar. Eu não tinha traumas como a maior parte das pessoas pois tinha a capacidade de ser forte e de os ter transformado em vivências. Acho que muitos dos problemas das pessoas é não ter essa capacidade e gostar tanto de se fazer de vítima que não se esforça para os transformar. Deixo-me de reflexões, levanto-me, sigo as luzes que me tinham guiado até aqui, vou para o meu quarto e acabo por adormecer deitada na cama ainda feita.


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