Fazemos uma viagem no tempo e paramos no dia 31 de Dezembro, véspera de ano novo e nele a esperança que uma nova vida comece e que tudo seja diferente. Todos estes sentimentos incentivados pelo filme “Ano Novo, Vida Nova”. Dia atarefado, dia de reflexões, dia de festa e de alegria. O dia das 12 passas. Uma correria nos preparativos, nas empadas para fazer, no champanhe por comprar, na tontice do maninho que nem as horas sabe para o começo do evento, o penteado para ir fazer ao cabeleireiro. Já era tão tarde e tudo se atrapalhava. Já finalmente pronta e angustiada pelas mil e uma mensagens a dizer “vem, vem. Já está tudo pronto.” lá chego eu à Quinta do maninho e me junto com a sua família. Entretanto, chega a malta toda, o pessoal do costume, da diversão, da estupidez e da parvoíce ao rubro. Decidimos ir para ao pé da piscina tirar fotografias para mais tarde fazerem parte das nossas memórias. Tiramos fotografias em todo o lado, piscina, casa de banho, quarto, sala, com as poses mais bonitas e mais parvas. Mesmo depois da (passemos a chamar) sessão fotográfica ainda falta muito para a meia-noite. Então, sento-me num canto, viajo para um mundo paralelo, para uma floresta deserta e gelada, sento-me ao pé dum pinheiro, mergulho e perco-me nos meus pensamentos. Reflito sobre as vivências desse ano, no que queria manter, no que ia mudar, de saber que tinha esquecido mas ainda não tinha agido e que estava na altura de o fazer. Revejo os momentos mais especiais, guardo os mais tristes numa caixinha e enterro-a na neve gelada ao pé do pinheiro. Recordo as pessoas marcantes e importantes que me apoiaram em tudo, relembro as novas amizades formadas na faculdade e espero que o ano 2012 valha a pena e que nele venha um grande amor. Era algo mesmo que gostava, pelo amor, pela partilha contudo ninguém nem das antigas amizades nem dos novos conhecimentos da faculdade me fazia bater o coração. Já conhecia quem eu queria do meu curso, nenhum rapaz era assim especial para mim, havia uns amigos mas nada mais. E, de repente, lembro-me de um que me intrigava, que tinha conhecido no primeiro dia de aulas, um rapaz metido consigo, tristinho e recordo-me das suas palavras “o * veio à cidade” e ao relembrar essa frase sorri sem dar conta. Eu queria desvendar o mistério por detrás do rapaz mas também nunca mais tinha falado com ele desde esse dia e quando nos cruzávamos era sempre intrigante o riso tímido dos dois. Esqueço-me disto e volto outra vez a mergulhar em pensamentos mais recônditos. Levanto-me, sacudo a neve que percorria o meu corpo, viro à direita e regresso ao canto onde me tinha sentado. Olho em redor, vejo tudo alegre e decido então juntar-me novamente a eles. Começamos a falar, a recordar momentos e situações hilariantes das quais fazíamos parte, rimo-nos, bebemos, dançamos, cantamos. Juntamo-nos em parte no andar de cima, no quarto a desabafar, a relembrar, a brincar uns com os outros. E houve quem nesse quarto subisse à janela, se sentasse no telhado e sentisse o vento a navegar na sua cara. E, entretanto, com tanta euforia e brincadeira, já era quase meia-noite e o alarido instalara-se em toda a quinta, a procura das passas e dos champanhes, a correria para o ar livre e finalmente a celebração, os gritos e o pedido dos desejos às passas e às estrelas. Olhei para a Lua e pedi afincadamente o que gostaria de ter se o merecesse. Após esse ritual, voltamos para o quentinho duma das casas e a diversão continuou. Foi uma noite e tanto até que esta acabou e com ela a esperança de muitas mais iguais a esta e de um ano promissor.


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